Outubro Rosa: prevenção do câncer de mama, alimentação e estilo de vida
Por Nutricionista Giovanna Potrick – Nutrição Clínica e Oncológica

Há mais de uma década, escolhi a Nutrição Oncológica como uma parte muito importante da minha vida profissional.
E, depois de tantos anos acompanhando mulheres durante o tratamento do câncer de mama, posso dizer que o Outubro Rosa tem, para mim, um significado que vai muito além de uma cor, de uma campanha ou de um mês no calendário.
Eu vi. Eu vivi. Eu convivi com essas mulheres.
Acompanhei diagnósticos que chegaram como um choque. Vi o medo nos olhos de quem, de repente, precisou reorganizar a vida inteira em torno de uma palavra que ninguém gostaria de ouvir: câncer.
Estive ao lado de mulheres durante tratamentos longos, difíceis e, muitas vezes, debilitantes. Mulheres enfrentando cirurgias, quimioterapia, radioterapia, alterações no corpo, perda de cabelo, mudanças no apetite, no peso, na disposição, na autoestima e na relação com a própria imagem.
Como nutricionista oncológica, acompanhei muitas dessas mulheres não apenas no consultório, mas também em atendimentos domiciliares. Conheci suas famílias. Sentei ao lado delas quando comer deixava de ser algo simples e passava a ser mais uma etapa importante do tratamento.
E também tive o privilégio de assistir a algo extraordinário:
eu as vi renascer.
Vi mulheres terminarem seus tratamentos diferentes de como começaram. Muitas mais fortes, mais conscientes e mais seletivas com aquilo — e com aqueles — a que dedicariam seu tempo.
Mulheres que passaram a compreender, talvez como nunca antes, o que realmente importa na vida.
É por ter caminhado tão perto delas que, neste Outubro Rosa, quero falar principalmente com as mulheres que ainda não tiveram câncer.
Quero falar sobre prevenção do câncer de mama.
É possível prevenir o câncer de mama?
Essa é uma pergunta frequente no consultório.
O câncer de mama é uma doença multifatorial. Isso significa que não existe uma única causa e que ninguém deve carregar a culpa por ter desenvolvido a doença.
Existem fatores que não podemos modificar, como idade, determinados fatores hormonais, características genéticas e histórico familiar.
Por outro lado, existem fatores relacionados ao estilo de vida sobre os quais podemos agir.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), manter o peso corporal adequado, praticar atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas que contribuem para a prevenção do câncer de mama.
Por isso, falar em Outubro Rosa também é falar sobre o que fazemos todos os dias.
Alimentação e câncer de mama: qual é a relação?
Quando pensamos em alimentação para prevenção do câncer, não estamos falando de um alimento milagroso.
Não existe uma fruta, suplemento, chá ou dieta capaz de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá câncer.
O que importa é o conjunto dos hábitos mantidos ao longo da vida.
Uma alimentação saudável deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como:
verduras e legumes;
frutas;
feijões e outras leguminosas;
cereais integrais;
sementes e oleaginosas;
preparações caseiras;
alimentos variados, frescos e predominantemente de origem vegetal.
Ao mesmo tempo, vale reduzir a presença rotineira de produtos ultraprocessados e de alimentos com elevada densidade energética, excesso de açúcares, gorduras e sódio.
Prevenção não acontece em uma refeição. Ela é construída pela repetição de escolhas possíveis ao longo dos anos.
Obesidade e câncer de mama
O excesso de gordura corporal é um dos aspectos importantes quando falamos sobre prevenção de diferentes tipos de câncer.
No câncer de mama, essa relação merece atenção especialmente após a menopausa.
O tecido adiposo não funciona apenas como uma reserva de energia. Ele participa de processos metabólicos, hormonais e inflamatórios que podem influenciar a saúde.
Isso não significa buscar um corpo perfeito ou transformar a balança em uma obsessão.
Significa trabalhar para alcançar e manter uma composição corporal saudável, preservar massa muscular e evitar o ganho excessivo de peso ao longo dos anos.
Esse cuidado se torna ainda mais relevante para as mulheres depois dos 40 anos e durante a menopausa, fases em que alterações hormonais, redução da massa muscular e mudanças na distribuição da gordura corporal podem ocorrer.
Bebida alcoólica e risco de câncer de mama
Este é um ponto que ainda recebe pouca atenção.
O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de câncer de mama. Por isso, quando falamos em prevenção, reduzir ou evitar o álcool é uma medida que precisa entrar na conversa.
Muitas vezes pensamos apenas no consumo excessivo, mas prevenção significa também rever a frequência com que a bebida alcoólica faz parte da rotina.
Atividade física também faz parte da prevenção
Movimentar o corpo regularmente é outra estratégia importante para a saúde e para a prevenção de doenças crônicas.
Atividade física auxilia no controle do peso, na preservação da massa muscular, na saúde cardiovascular, metabólica e óssea e está associada à redução do risco de alguns tipos de câncer, incluindo o câncer de mama.
Não precisa começar com grandes metas.
Caminhar, subir escadas, praticar exercícios de força, fazer Pilates, pedalar, nadar ou encontrar uma atividade prazerosa já pode representar o início de uma mudança.
O importante é transformar movimento em rotina.
Tabagismo e saúde da mulher
Não fumar continua sendo uma das principais recomendações para prevenção de câncer de maneira geral.
Para o câncer de mama especificamente, a relação com o tabagismo é menos estabelecida do que para cânceres como o de pulmão, mas abandonar o cigarro representa um dos maiores investimentos que uma pessoa pode fazer em sua saúde global.
Prevenção do câncer deve ser entendida de maneira ampla.
Histórico familiar de câncer de mama: quando o cuidado precisa ser maior?
Ter casos de câncer de mama na família não significa necessariamente que uma mulher desenvolverá a doença.
Entretanto, alguns históricos familiares podem indicar risco aumentado.
Mulheres com vários familiares acometidos, casos diagnosticados em idades jovens, câncer de mama masculino ou determinados padrões familiares devem conversar com seu médico sobre a necessidade de uma avaliação individualizada e, quando indicada, aconselhamento e investigação genética.
Nessas situações, o acompanhamento não deve ser baseado apenas nas recomendações destinadas à população de risco habitual.
Mamografia e diagnóstico precoce
Além da prevenção por meio do estilo de vida, o diagnóstico precoce do câncer de mama pode fazer enorme diferença.
A mulher deve conhecer seu corpo e procurar avaliação médica quando perceber alterações suspeitas nas mamas.
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento populacional do câncer de mama, seguindo recomendações relacionadas à idade e ao risco individual.
Outros exames, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser indicados pelo médico conforme as características e o risco de cada mulher.
O importante é não adiar o cuidado.
Quais sinais nas mamas merecem atenção?
Alterações nas mamas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde, especialmente quando há presença de nódulo persistente, mudanças na pele, alterações no mamilo, saída espontânea de secreção ou mudanças recentes no formato ou aspecto da mama.
Conhecer o próprio corpo não substitui os exames recomendados, mas ajuda a perceber quando alguma coisa mudou.
Conhecer-se também é uma forma de cuidado.
Nutrição Oncológica não começa apenas depois do diagnóstico
Existe uma ideia de que a nutricionista oncológica deve ser procurada somente quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer.
Eu gostaria de ajudar a mudar essa percepção.
A Nutrição Oncológica também pode contribuir para a promoção da saúde, prevenção e avaliação dos fatores de risco modificáveis.
Uma consulta nutricional preventiva permite avaliar alimentação, peso, composição corporal, massa muscular, consumo de bebidas alcoólicas, nível de atividade física, rotina, sono e outros aspectos do estilo de vida.
Não existe promessa de impedir uma doença.
Existe a possibilidade de conhecer melhor seus fatores de risco e modificar aquilo que está ao seu alcance.
Mulheres 40+: este é um excelente momento para olhar para a prevenção
Depois dos 40 anos, o corpo feminino começa a atravessar mudanças importantes.
Perimenopausa, menopausa, alterações hormonais, mudanças na composição corporal, maior facilidade para acumular gordura abdominal e perda progressiva de massa muscular podem aparecer.
Por isso, essa fase pode ser uma oportunidade para fazer uma verdadeira revisão da saúde.
Como está sua alimentação?
Como está seu peso e sua composição corporal?
Você está preservando sua massa muscular?
Pratica atividade física?
Quanto álcool faz parte da sua semana?
Seus exames estão atualizados?
Você conhece seu histórico familiar?
Está acompanhando regularmente a saúde das suas mamas?
Às vezes, uma única avaliação é suficiente para perceber hábitos que vêm sendo repetidos há muitos anos e iniciar mudanças que poderão acompanhar você pelo restante da vida.
Outubro Rosa: prevenção também é um ato de amor-próprio
Depois de tudo o que já presenciei na Oncologia, talvez essa seja uma das mensagens mais importantes que eu possa deixar neste Outubro Rosa:
não espere uma doença chegar para começar a cuidar de você.
Cuide-se enquanto está saudável.
Olhe para sua alimentação. Para seu peso. Para sua massa muscular. Para sua atividade física. Para o álcool. Para o cigarro. Para o sono. Para seus exames. Para sua história familiar.
E, principalmente, olhe para aquilo que você vem adiando há anos.
Depois de mais de uma década acompanhando mulheres com câncer, aprendi que a Oncologia não deve falar apenas sobre tratar uma doença.
Precisamos falar sobre preservar a saúde.
Precisamos falar sobre prevenção.
Precisamos falar sobre escolhas possíveis.
Precisamos falar sobre vida.
Neste Outubro Rosa, meu convite é simples:
não espere o medo ensinar você a se cuidar. Comece pelo amor à sua própria vida.
Quer avaliar seu estilo de vida e seus fatores de risco modificáveis?
Na Nutritécnica Clínica Integrativa, a consulta de Nutrição Clínica e Oncológica permite uma avaliação individualizada da alimentação, composição corporal, hábitos e estilo de vida, tanto para pessoas em tratamento oncológico quanto para quem deseja investir em prevenção e promoção da saúde.
Agende sua avaliação com a Nutricionista Giovanna Potrick Stefani.
Giovanna Potrick – CRN-2 12.350
Nutricionista Clínica e Oncológica
Mestre em Nutrição, Alimentação e Saúde – UFRGS
Pós-Graduada em Nutrição Oncológica – IEP/HMV
Aperfeiçoamento em Onco-Hematologia – Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Antropometrista certificada pela ISAK
@nutritecnica
@nutrigiovannapotrick
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