Novembro Azul: cuidar de você é escolher viver mais histórias.

Quantas vezes você deixou a própria saúde para depois? Depois de resolver os compromissos, depois de terminar um projeto, depois que aparecesse algum sintoma?
O Novembro Azul nos convida a interromper esse adiamento. É uma oportunidade para conversar sobre o câncer de próstata com informação, responsabilidade e acolhimento — incluindo um aspecto que merece atenção: o papel da alimentação antes, durante e depois do tratamento.
Na minha atuação em Nutrição Oncológica, o cuidado começa pelo olhar individual. Existe uma pessoa por trás do diagnóstico, com sua história, seus hábitos, seus receios e uma rotina que precisa ser considerada em cada orientação.
Prevenção: o que a alimentação pode oferecer?
Não existe um alimento capaz de impedir, sozinho, o desenvolvimento do câncer de próstata. Também não é possível garantir proteção com uma dieta específica.
O que podemos fazer é construir uma rotina que favoreça a saúde: alimentação variada, atividade física, manutenção de um peso adequado e abandono do tabagismo. O excesso de gordura corporal está associado a maior risco de câncer de próstata avançado. Isso reforça a importância do cuidado contínuo, sem culpabilizar quem recebe o diagnóstico.
Na prática, vale abrir mais espaço para verduras, legumes, frutas, feijão e cereais integrais, além de organizar refeições que sejam possíveis de manter no dia a dia.
A saúde se beneficia da constância. Não depende de um ingrediente da moda.
Tomate, chás e suplementos aparecem com frequência nas conversas sobre a próstata. Entretanto, não há comprovação de que suplementos de licopeno previnam esse câncer. Suplementos não devem ser usados com essa finalidade; quando necessários para corrigir uma deficiência ou atender uma necessidade clínica, precisam de indicação individualizada.
Não sentir nada não significa dispensar o cuidado
O câncer de próstata pode não provocar sintomas nas fases iniciais. Dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, sangue na urina e mudanças na frequência das idas ao banheiro merecem avaliação. Muitas vezes, essas alterações têm causas benignas, mas precisam ser investigadas.
É importante diferenciar prevenção de investigação: PSA e toque retal não impedem o aparecimento da doença. Em homens sem sintomas, a decisão sobre realizar esses exames deve envolver uma conversa com o médico sobre riscos e possíveis benefícios. O INCA não recomenda o rastreamento populacional indiscriminado.
Quando o diagnóstico chega, o tratamento é individual
O tratamento depende das características do tumor, da extensão da doença, das condições de saúde e das preferências do paciente.
Cirurgia, radioterapia e terapia hormonal estão entre as possibilidades. Para determinados tumores de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa: um acompanhamento estruturado, com avaliações periódicas, sem iniciar tratamento imediato. Essa escolha exige critérios médicos e compromisso com o seguimento.
A nutrição integra esse cuidado. Ela não substitui o tratamento oncológico, mas ajuda a atender às necessidades do organismo ao longo desse processo.
Durante o tratamento, o peso conta apenas parte da história
Uma das minhas prioridades no acompanhamento nutricional é avaliar como o paciente está se alimentando e quais mudanças estão acontecendo no seu corpo.
A balança, sozinha, não responde a tudo. É preciso considerar a ingestão alimentar, a força, a funcionalidade e a composição corporal.
A terapia hormonal, utilizada em algumas situações, pode favorecer perda de massa muscular e óssea, aumento de gordura corporal e alterações na sensibilidade à insulina. Esses efeitos reforçam a importância de integrar alimentação, acompanhamento médico e exercício físico adaptado às condições do paciente.
O planejamento nutricional precisa acompanhar essas necessidades, com atenção ao aporte de energia e proteínas e à saúde óssea e metabólica. Restrições alimentares por conta própria podem dificultar esse cuidado.
Como funciona o olhar da Nutrição Oncológica?
No consultório, meu objetivo é transformar recomendações em escolhas possíveis para cada pessoa. Isso envolve avaliar:
Como está a alimentação e se houve redução do apetite.
Se existem sintomas que dificultam comer.
Mudanças de peso e de composição corporal.
Necessidades nutricionais relacionadas ao tratamento.
Uso de suplementos e dificuldades na organização das refeições.
O plano alimentar precisa fazer sentido para quem vai segui-lo. Preferências, recursos disponíveis e apoio da família fazem parte dessa construção.
O cuidado continua depois do tratamento
Encerrar uma etapa do tratamento não encerra a necessidade de acompanhamento. A alimentação continua tendo espaço na recuperação, na manutenção da funcionalidade e no cuidado com a saúde ao longo dos anos.
Como nutricionista oncológica no Vale dos Sinos, considero essencial oferecer orientação com base científica e escuta atenta. Meu compromisso é ajudar cada paciente a atravessar esse caminho com mais segurança nas escolhas alimentares e atenção à qualidade de vida.
Neste Novembro Azul, meu convite é simples: inclua sua saúde na agenda. Converse, procure orientação e permita-se receber cuidado.
Você merece atenção em todas as fases da vida.
Giovanna Potrick
Nutricionista Clínica e Oncológica | CRN-2 12.350
Mestre em Alimentação, Nutrição e Saúde pela UFRGS
Pós-graduada em Nutrição Oncológica pelo IEP/HMV
Aperfeiçoamento em Onco-Hematologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Atendimento na Nutritécnica Clínica Integrativa, em São Leopoldo, Porto Alegre e atendimento domiciliar conforme disponibilidade.


.png)



Comentários