Homens também envelhecem: quem está cuidando da longevidade masculina?

Durante muitos anos, falar sobre saúde masculina foi praticamente sinônimo de falar sobre doenças. E, quando chegava novembro, a atenção se voltava quase exclusivamente para o câncer de próstata.
Mas quero propor uma reflexão diferente neste Novembro Azul:
De que adianta viver até os 90 anos se, aos 70, já perdemos a força, a autonomia, a disposição e a vontade de aproveitar a vida?
A longevidade saudável não se resume a acrescentar anos à vida. Significa acrescentar saúde, independência e qualidade aos anos que conquistamos.
E os homens precisam participar cada vez mais dessa conversa.
Por que os homens ainda cuidam tão pouco da própria saúde?
Culturalmente, muitos homens aprenderam que precisam ser fortes, resistentes e capazes de suportar tudo. Procurar ajuda, admitir cansaço ou demonstrar vulnerabilidade ainda pode ser interpretado como fraqueza.
O resultado? Muitos só procuram atendimento quando os sintomas começam a interferir na rotina.
Entretanto, envelhecer bem não é uma questão de sorte. É consequência de fatores genéticos, ambientais, sociais e, principalmente, de cuidados construídos ao longo da vida.
Os cinco pilares da longevidade masculina
1. Alimentação: o combustível de uma vida longa
Uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, frutas, leguminosas, proteínas de qualidade, fibras e gorduras saudáveis contribui para a saúde cardiovascular, metabólica e muscular.
Reduzir o consumo de ultraprocessados, excesso de sódio e bebidas alcoólicas também faz parte da prevenção.
2. Massa muscular: a reserva de independência
A partir da meia-idade, a perda progressiva de massa e força muscular pode comprometer a mobilidade e a autonomia.
Exercícios de força, associados a uma ingestão proteica adequada, ajudam a preservar músculos, ossos e funcionalidade.
Não se trata de estética. Trata-se de conseguir subir escadas, carregar compras, viajar e continuar fazendo aquilo de que gostamos.
3. Saúde cardiovascular: cuidar do coração é cuidar do futuro
Hipertensão, diabetes, alterações do colesterol e obesidade abdominal são fatores que merecem atenção.
Avaliar periodicamente a pressão arterial, a glicemia e o perfil lipídico, conforme o risco individual, é parte importante do acompanhamento preventivo.
4. Saúde emocional: homens também precisam falar sobre sentimentos
Solidão, estresse crônico, ansiedade e depressão também afetam a saúde masculina.
Cultivar amizades, manter vínculos familiares, buscar atividades prazerosas e procurar apoio psicológico quando necessário são atitudes de cuidado, não sinais de fraqueza.
5. Prevenção: o cuidado não começa quando surge a doença
O Novembro Azul é uma oportunidade para conversar sobre o câncer de próstata, mas também sobre saúde integral.
A avaliação da próstata deve considerar idade, histórico familiar, fatores de risco, benefícios e possíveis consequências dos exames. A decisão sobre o rastreamento com PSA deve ser individualizada e compartilhada com o médico, pois não existe uma recomendação universal de rastreamento para todos os homens sem sintomas.
Sintomas urinários persistentes, sangue na urina ou outras alterações merecem avaliação médica.
O grande desafio: preparar os homens para envelhecer com autonomia
Na minha experiência com nutrição e gerontologia, observo que ainda associamos muito o envelhecimento masculino à aposentadoria, à redução das atividades e à perda gradual da vitalidade.
Mas precisamos mudar essa perspectiva.
Um homem de 60 anos pode estar começando uma nova carreira. Aos 70, pode descobrir o prazer de praticar exercícios. Aos 80, pode continuar viajando, aprendendo, convivendo e participando ativamente da sociedade.
A idade cronológica não determina, sozinha, nossa capacidade funcional.
E é justamente por isso que a prevenção deve começar muito antes da velhice.
Neste Novembro Azul, faço um convite aos homens
Não esperem adoecer para começar a cuidar de vocês.
Olhem para a alimentação, para o sono, para o corpo, para a saúde emocional e para os relacionamentos.
Procurem acompanhamento profissional, movimentem-se e compreendam que longevidade não é apenas uma conquista da medicina. É também uma construção diária.
E às mulheres que convivem com esses homens — companheiros, pais, filhos e amigos — fica outro convite: incentivem o cuidado, mas também reconheçam a importância de que cada homem seja protagonista da própria saúde.
Porque viver mais é uma conquista. Mas chegar aos 80 ou 90 anos com autonomia, lucidez, força e alegria de viver é um projeto que merece começar hoje.
Dra. Marlise Potrick Stefani
Nutricionista | Mestre em Qualidade | Especialista em Alimentação e Gerontologia | Pós Graduada em Fitoterapia Clínica, Gastronomia, Psicologia, Geriatria e Gerontologia | Pós-Graduanda em Psicanálise
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