Comida de verdade nunca saiu de moda — a ciência apenas confirmou
- Nutritecnica Ltda.

- 11 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Há 40 anos atrás eu entrava na faculdade de Nutrição na Unisinos, a disciplina escolhida para começar foi Nutrição Normal, com. Professora Maria Beatriz Boccasius, numa aula simplesmente encantadora vi pela primeira vez a Roda dos Alimentos, a indicação era de: UM ALIMENTO DE CADA GRUPO EM CADA REFEIÇÃO. Aquilo foi profundamente esclarecedor e a partir dali o meu prato mudou. Entendi porque meu peso estava sempre acima do normal, meu prato ficou equilibrado e colorido!

Depois, surgiu a nossa nova Pirâmide Alimentar, custei a me acostumar com ela, tão acostumada que estava com a roda. Mas, na pirâmide apareciam mova orientações e proporções, depois foi revisado e incluída a orientação da ingestão de água e inclusão de atividades físicas.

Só em 2006 foi publicado o Guia Alimentar da População Brasileira, uma obra prima, ao meu ver, da Nutrição, com reconhecida revisão em 2014. Objetivo, técnico e consistente, permitiu nortear os profissionais da saúde em orientações corretas.

Como nutricionista, com mais de quatro décadas de atuação clínica, acadêmica e em coletiva, acompanho com atenção cada revisão das diretrizes alimentares internacionais. E nesta semana, os Estados Unidos divulgaram suas novas Diretrizes Alimentares 2025–2030.

Elas não surgem por acaso. Foram revistas diante de um cenário preocupante, uma população com excesso de peso e aumento alarmante de doenças cardiometabólicas.
O resultado? Um reposicionamento claro: menos refinados, mais comida de verdade e maior densidade nutricional.
O que muda, na prática? Os carboidratos refinados deixam de ser a base da recomendação.
O foco passa a ser: vegetais e frutas; proteínas de qualidade (ovos, carnes, peixes); gorduras boas (azeite, abacate, oleaginosas); grãos integrais, não refinados.
Essa mudança tem um motivo central: a hiperinsulinemia crônica, que: estimula a lipogênese e a produção hepática de colesterol; favorece o acúmulo de gordura visceral; contribui para retenção de sódio, água e hipertensão.
Proteína ganha protagonismo
As diretrizes passam a recomendar 1,2 a 1,6 g de proteína/kg/dia, reconhecendo seu papel estrutural: preservação da densidade de massa muscular e óssea; suporte ao sistema imune, pele, cabelos e unhas; e maior saciedade (GLP-1 e PYY).
Um avanço importante — especialmente para adultos e idosos.
Vegetais e fibras: ciência consolidada
O documento reforça algo que a ciência já vem mostrando há anos: fibras reduzem picos glicêmicos; garantem uma microbiota adequada e atuam na saúde intestinal.
Grãos integrais x refinados
A distinção fica mais clara: quanto mais integral o grão, menor é a resposta insulinêmica, mais fibras e mais saciedade.
Gorduras e açúcar
Restrição de ultraprocessados ricos em gorduras, redução da gordura saturada e açúcares adicionados, com certeza vão diminuir os hábitos excessivos do povo americano.
Gorduras de alimentos integrais são mais aceitas
Sódio: o ponto correto
O limite permanece em < 2.300 mg/dia para adultos, mas com um esclarecimento importante: atenção para a quantidade de sódio dos alimentos ultraprocessados.
E aqui entra minha leitura crítica
Apesar dos avanços, as diretrizes americanas ainda não incorporam plenamente a individualização metabólica e genética — algo essencial na prática clínica moderna.
E é aqui que faço questão de dizer, com tranquilidade profissional:
🌿 O Guia Alimentar para a População Brasileira continua sendo um dos mais modernos e respeitados do mundo.
Ele já falava, há mais de uma década, sobre:
• comida de verdade
• grau de processamento
• cultura alimentar
• ato de cozinhar
• relação com o alimento
Enquanto muitos países estão corrigindo rotas, o Brasil acertou cedo.
Minha posição, após 40 anos de profissão
Não se trata de modismo, nem de trocar pirâmides ou gráficos.
Trata-se de resgatar o alimento como alimento.
A ciência está, finalmente, se aproximando daquilo que sempre defendemos na boa Nutrição:
✔ menos indústria
✔ mais natureza
✔ mais consciência
✔ mais individualização
A base da alimentação saudável não mudou.
O que mudou foi o atraso em reconhecê-la.
Dra. Marlise Potrick StefaniNutrição de Excelência
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