Menopausa: o maior risco silencioso para a saúde da mulher não é o calorão — é o coração
- há 4 horas
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Quando falamos em menopausa, muitas mulheres ainda associam essa fase apenas aos fogachos, à insônia ou às alterações de humor.
Mas, do ponto de vista clínico e epidemiológico, o maior risco de saúde da mulher após a menopausa é cardiovascular — especialmente infarto agudo do miocárdio e AVC.
Essa é uma virada metabólica profunda, silenciosa e muitas vezes subestimada.
🫀 O que muda no corpo feminino após a menopausa?
A menopausa não é apenas o fim do ciclo menstrual — é o fim de uma proteção hormonal natural.
O estrogênio, que durante décadas exerceu efeito cardioprotetor, começa a cair de forma importante. E isso desencadeia uma cascata metabólica:
Principais alterações:
Aumento do LDL (colesterol “ruim”)
Redução do HDL (colesterol “bom”)
Aumento da gordura visceral abdominal
Maior resistência à insulina
Elevação da pressão arterial
Inflamação sistêmica de baixo grau
Rigidez vascular progressiva
Esse conjunto forma o que chamamos de tempestade cardiometabólica do climatério.
📊 O dado que mais preocupa
Após a menopausa:
O risco cardiovascular da mulher se aproxima — e muitas vezes ultrapassa — o do homem.
As doenças cardiovasculares passam a ser a principal causa de morte feminina.
Infarto e AVC superam câncer de mama e outras doenças ginecológicas em mortalidade.
Ou seja:A mulher deixa de morrer “de causas femininas” e passa a morrer de causas metabólicas e vasculares.
🚨 Por que o risco aumenta tanto?
Porque ocorre uma convergência de fatores:
1️⃣ Mudança na distribuição de gordura
A gordura deixa de ser periférica (quadril/coxa) e passa a ser visceral (abdômen).
➡️ Gordura visceral é inflamatória e aterogênica.
2️⃣ Alteração no metabolismo da glicose
Maior risco de:
Pré-diabetes
Diabetes tipo 2
Síndrome metabólica
3️⃣ Disfunção endotelial
Os vasos perdem elasticidade, aumentando:
Hipertensão
Formação de placas
Risco de trombose
4️⃣ Inflamação silenciosa
Processos inflamatórios crônicos favorecem:
Aterosclerose
AVC isquêmico
Eventos coronarianos
⚠️ O grande problema: os sintomas femininos são diferentes
Muitas mulheres não têm a “dor clássica no peito” do infarto.
Podem apresentar:
Falta de ar
Cansaço extremo
Náuseas
Dor nas costas ou mandíbula
Sudorese fria
Ansiedade súbita
Isso faz com que o diagnóstico seja tardio — aumentando mortalidade.
🥗 O papel decisivo da Nutrição no climatério
Aqui está um dos maiores campos de atuação clínica estratégica.
A alimentação pode:
✔ Reduzir colesterol✔ Controlar glicemia✔ Diminuir inflamação✔ Reduzir gordura visceral✔ Melhorar pressão arterial✔ Proteger endotélio vascular
Ou seja: nutrição é terapia cardioprotetora diária.
🧬 Estratégias nutricionais essenciais
Como nutricionista e especialista em Gerontologia, destaco pilares fundamentais:
🫒 Gorduras anti-inflamatórias
Azeite de oliva
Abacate
Oleaginosas
Peixes ricos em ômega-3
🥦 Fibras e fitoquímicos
Verduras escuras
Leguminosas
Linhaça
Aveia
➡️ Reduzem LDL e modulam estrogênios.
🍇 Polifenóis antioxidantes
Frutas vermelhas
Uva roxa
Cacau 70%
Chá verde
🧂 Controle de sódio e ultraprocessados
Redução do risco hipertensivo e inflamatório.
🧘♀️ Não é só comida: é estilo de vida
Proteção cardiovascular no climatério exige abordagem integrada:
Exercício de força (protege massa magra e metabolismo)
Sono regulado
Controle do estresse
Avaliação hormonal individualizada
Monitoramento laboratorial periódico
🌺 A mensagem mais importante para a mulher 40+
Menopausa não é o começo do fim.
É o início de uma nova gestão metabólica da vida.
Se nada for feito, o risco cardiovascular sobe se houver intervenção nutricional, clínica e comportamental, é possível:
Reduzir drasticamente risco de infarto
Prevenir AVC
Aumentar longevidade funcional
Manter autonomia e vitalidade
Dra. Marlise Potrick Stefani
Nutricionista • Especialista em Gerontologia pela SBGG • Membro da Sociedade Brasileira do Climatério SOBRAC




