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Menopausa: o maior risco silencioso para a saúde da mulher não é o calorão — é o coração

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura


Quando falamos em menopausa, muitas mulheres ainda associam essa fase apenas aos fogachos, à insônia ou às alterações de humor.

Mas, do ponto de vista clínico e epidemiológico, o maior risco de saúde da mulher após a menopausa é cardiovascular — especialmente infarto agudo do miocárdio e AVC.

Essa é uma virada metabólica profunda, silenciosa e muitas vezes subestimada.


🫀 O que muda no corpo feminino após a menopausa?

A menopausa não é apenas o fim do ciclo menstrual — é o fim de uma proteção hormonal natural.

O estrogênio, que durante décadas exerceu efeito cardioprotetor, começa a cair de forma importante. E isso desencadeia uma cascata metabólica:

Principais alterações:

  • Aumento do LDL (colesterol “ruim”)

  • Redução do HDL (colesterol “bom”)

  • Aumento da gordura visceral abdominal

  • Maior resistência à insulina

  • Elevação da pressão arterial

  • Inflamação sistêmica de baixo grau

  • Rigidez vascular progressiva

Esse conjunto forma o que chamamos de tempestade cardiometabólica do climatério.


📊 O dado que mais preocupa

Após a menopausa:

  • O risco cardiovascular da mulher se aproxima — e muitas vezes ultrapassa — o do homem.

  • As doenças cardiovasculares passam a ser a principal causa de morte feminina.

  • Infarto e AVC superam câncer de mama e outras doenças ginecológicas em mortalidade.

Ou seja:A mulher deixa de morrer “de causas femininas” e passa a morrer de causas metabólicas e vasculares.


🚨 Por que o risco aumenta tanto?

Porque ocorre uma convergência de fatores:

1️⃣ Mudança na distribuição de gordura

A gordura deixa de ser periférica (quadril/coxa) e passa a ser visceral (abdômen).

➡️ Gordura visceral é inflamatória e aterogênica.


2️⃣ Alteração no metabolismo da glicose

Maior risco de:

  • Pré-diabetes

  • Diabetes tipo 2

  • Síndrome metabólica


3️⃣ Disfunção endotelial

Os vasos perdem elasticidade, aumentando:

  • Hipertensão

  • Formação de placas

  • Risco de trombose


4️⃣ Inflamação silenciosa

Processos inflamatórios crônicos favorecem:

  • Aterosclerose

  • AVC isquêmico

  • Eventos coronarianos


⚠️ O grande problema: os sintomas femininos são diferentes

Muitas mulheres não têm a “dor clássica no peito” do infarto.

Podem apresentar:

  • Falta de ar

  • Cansaço extremo

  • Náuseas

  • Dor nas costas ou mandíbula

  • Sudorese fria

  • Ansiedade súbita

Isso faz com que o diagnóstico seja tardio — aumentando mortalidade.


🥗 O papel decisivo da Nutrição no climatério

Aqui está um dos maiores campos de atuação clínica estratégica.

A alimentação pode:

✔ Reduzir colesterol✔ Controlar glicemia✔ Diminuir inflamação✔ Reduzir gordura visceral✔ Melhorar pressão arterial✔ Proteger endotélio vascular

Ou seja: nutrição é terapia cardioprotetora diária.


🧬 Estratégias nutricionais essenciais

Como nutricionista e especialista em Gerontologia, destaco pilares fundamentais:

🫒 Gorduras anti-inflamatórias

  • Azeite de oliva

  • Abacate

  • Oleaginosas

  • Peixes ricos em ômega-3


🥦 Fibras e fitoquímicos

  • Verduras escuras

  • Leguminosas

  • Linhaça

  • Aveia

➡️ Reduzem LDL e modulam estrogênios.


🍇 Polifenóis antioxidantes

  • Frutas vermelhas

  • Uva roxa

  • Cacau 70%

  • Chá verde


🧂 Controle de sódio e ultraprocessados

Redução do risco hipertensivo e inflamatório.


🧘‍♀️ Não é só comida: é estilo de vida

Proteção cardiovascular no climatério exige abordagem integrada:

  • Exercício de força (protege massa magra e metabolismo)

  • Sono regulado

  • Controle do estresse

  • Avaliação hormonal individualizada

  • Monitoramento laboratorial periódico


🌺 A mensagem mais importante para a mulher 40+

Menopausa não é o começo do fim.

É o início de uma nova gestão metabólica da vida.

Se nada for feito, o risco cardiovascular sobe se houver intervenção nutricional, clínica e comportamental, é possível:

  • Reduzir drasticamente risco de infarto

  • Prevenir AVC

  • Aumentar longevidade funcional

  • Manter autonomia e vitalidade


Dra. Marlise Potrick Stefani

Nutricionista • Especialista em Gerontologia pela SBGG • Membro da Sociedade Brasileira do Climatério SOBRAC

 
 
 
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