O colo que constrói a vida
- 10 de mai.
- 3 min de leitura

Existe um momento da vida em que entendemos que crescer não significa apenas envelhecer.
Crescer é olhar para trás com maturidade suficiente para compreender quem nos formou.
Neste Dia das Mães, talvez uma das reflexões mais profundas que possamos fazer seja justamente esta: quem foi a mulher que nos ensinou, ainda no silêncio da infância, a amar, confiar, escolher e existir no mundo?
Hoje, depois de ter vivido o privilégio de ter uma mãe extraordinariamente dedicada e também de ter me tornado mãe de dois filhos que hoje são pessoas do bem, percebo algo com muita clareza: a maternidade não termina nunca.
Ela continua vivendo dentro dos filhos.
Continua na forma como enfrentamos as dores da vida.Na maneira como construímos nossos relacionamentos.Na segurança — ou insegurança — com que caminhamos pelo mundo.Na capacidade de amar.Na forma como cuidamos da nossa saúde mental.Na maneira como escolhemos permanecer ou partir.Na forma como acolhemos os outros — e a nós mesmos.
Uma mãe não cria apenas uma criança.
Ela ajuda a estruturar um ser humano inteiro.
E talvez por isso a relação entre mãe e filho seja uma das conexões mais profundas da existência humana. Porque ela começa antes das palavras. Antes da lógica. Antes mesmo da consciência.
Ela começa no sentir.
Há mães que ensinaram através do abraço.Outras através do exemplo silencioso.Outras através da força.E até mesmo aquelas relações marcadas por faltas ou dores acabam deixando marcas profundas na construção emocional de alguém.
A verdade é que ninguém passa ileso pela relação que teve com a própria mãe.
Ela influencia nossa autoestima, nossa forma de amar, nossa sensação de pertencimento, nossa coragem diante da vida e até nossa saúde emocional ao longo dos anos.
E quando nos tornamos mães, algo ainda mais transformador acontece: começamos a revisitar a nossa própria infância.
Muitas vezes entendemos nossa mãe apenas quando nos tornamos uma.
Entendemos o medo escondido por trás da firmeza.O cansaço silencioso.As noites mal dormidas.As renúncias invisíveis.A preocupação constante.O amor que não descansa nunca.
Ser mãe é viver com uma parte do coração caminhando fora do corpo.
E talvez por isso o Dia das Mães seja tão emocionante.Porque ele não fala apenas de flores, presentes ou homenagens.
Ele fala de legado emocional.
Fala da mulher que nos ajudou a nos tornar quem somos.E fala também da mulher que estamos sendo para os nossos filhos.
Neste Dia das Mães, talvez o maior presente seja justamente revisitar essa história com mais delicadeza.
Perdoar o que foi possível.Agradecer o que foi amor.Reconhecer o que nos fortaleceu.E compreender que nenhuma maternidade é perfeita — mas o amor verdadeiro deixa raízes profundas mesmo nas imperfeições.
No fim da vida, provavelmente não lembraremos dos dias mais produtivos.Mas lembraremos do colo.Da voz que acalmava.Do cuidado.Da presença.Do cheiro da comida pronta.Das mãos segurando as nossas nos momentos difíceis.
Porque são essas memórias afetivas que sustentam a alma humana.
E talvez a grande missão das mães seja exatamente essa:ajudar seus filhos a acreditarem que o mundo pode ser um lugar seguro para viver e amar.
Feliz Dia das Mães para aquelas que tiveram mães inesquecíveis.Para aquelas que tentam ser mães melhores todos os dias.E também para aquelas que ainda estão aprendendo a reconstruir dentro de si o amor que um dia faltou.
Porque toda relação entre mãe e filho deixa marcas.
E as mais bonitas delas atravessam gerações.
Dra. Marlise Potrick Stefani
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