O que fazemos com emoções difíceis?
- 10 de jun.
- 2 min de leitura

Fato é que ninguém gosta de sentir raiva, medo, tristeza, frustração, vergonha, ansiedade e tantas outras emoções que costumam ser vistas como "erradas".
Mas será que alguma emoção é realmente errada?
Talvez você já tenha passado ou presenciado uma situação como esta: uma criança está chorando ou expressando sua raiva através de agressividade, e então um adulto diz: "Para de fazer isso. Isso é feio. Isso é errado."
Muitas vezes crescemos aprendendo que algumas emoções podem ser demonstradas, enquanto outras devem ser escondidas. O choro precisa parar rápido. A raiva não pode aparecer. O medo deve ser vencido. A tristeza precisa passar logo.
Pode ser, inclusive, que você tenha sido criado para "engolir o choro", ou seja, para tentar se desfazer daquela emoção intensa o mais rápido possível e seguir como se nada tivesse acontecido.
Mas a verdade é que emoções não desaparecem apenas porque desejamos que desapareçam.
Quando uma emoção não encontra espaço para ser reconhecida, compreendida e elaborada, ela dificilmente encontra seu destino final. Em vez disso, acaba recebendo um endereço equivocado. Aquilo que não pôde ser expresso ou significado pode reaparecer de outras formas: na irritação constante, na ansiedade, no cansaço excessivo, em dificuldades nos relacionamentos ou até mesmo em sintomas físicos que parecem não fazer sentido à primeira vista.
Na tentativa de nos livrarmos rapidamente das emoções consideradas difíceis, acabamos não permitindo que elas sejam processadas.
Gosto de pensar nisso através de uma comparação com a digestão. Quando fazemos uma refeição mais pesada, o organismo precisa de tempo para digerir aquilo que recebeu. Às vezes bate aquela sonolência depois do almoço, a concentração diminui e o corpo parece pedir uma pausa. Não porque está falhando, mas porque está trabalhando para processar algo.
Com as emoções acontece algo semelhante. A psique também necessita de tempo para organizar experiências, acontecimentos, perdas, frustrações e conflitos. Nem tudo pode ser resolvido imediatamente. Nem tudo pode ser compreendido no exato momento em que acontece.
Existe um trabalho psíquico que precisa ocorrer.
Quando não damos esse tempo, tentamos seguir em frente rapidamente, acumulando experiências que não foram suficientemente elaboradas. É como se colocássemos cada vez mais coisas para dentro sem permitir que aquilo que já está ali encontre alguma organização.
E como essa organização acontece?
Em grande parte, pela possibilidade de falar.
É pela fala que muitas experiências ganham forma. É quando contamos uma história, nomeamos uma emoção ou compartilhamos algo que nos atravessa que começamos a construir sentidos para aquilo que antes aparecia apenas como um incômodo difuso.
Falar não apaga o sofrimento, mas pode ajudá-lo a encontrar um lugar.
Talvez por isso a questão não seja como deixar de sentir emoções difíceis, mas o que fazemos com elas quando surgem.
Porque emoções não são obstáculos ao nosso funcionamento. Elas são formas de expressão daquilo que nos acontece. E quanto mais tentamos expulsá-las ou silenciá-las, maior a chance de que encontrem outros caminhos para se fazer ouvir.
Psicóloga Lorrani Staudt Silveira - CRP 07/45844
@lorranistaudt.psi
@nutritecnica




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