A primavera está chegando: é hora de despertar o corpo depois de um longo inverno
- 23 de ago.
- 5 min de leitura

Foram meses longos.
Aqui no Sul, o inverno não significou apenas temperaturas baixas. Foram semanas de chuva, umidade, dias cinzentos e episódios de granizo, vendavais e temporais que trouxeram insegurança e fizeram muita gente permanecer mais tempo dentro de casa.
E quando permanecemos dentro de casa, não é apenas a nossa rotina que muda. Nosso corpo, nossa alimentação, nosso sono, nossa disposição e até nosso estado emocional podem mudar.
Mas agosto está terminando. Setembro está logo ali.
E, com ele, começa a surgir uma perspectiva que eu particularmente considero muito bonita: a primavera está chegando.
Mais luz, dias mais longos, flores, temperaturas mais agradáveis e aquela vontade de abrir as janelas, caminhar, sair de casa e colocar a vida novamente em movimento.
Talvez seja justamente disso que estejamos precisando.
O inverno também deixa marcas no nosso corpo
Durante os meses frios, é natural que algumas pessoas modifiquem bastante sua rotina.
O pãozinho quentinho aparece com mais frequência. O bolo acompanha o café da tarde. Sopas mais encorpadas, massas, queijos, chocolates e outras preparações mais calóricas tornam-se mais convidativas.
Não há nada de errado em aproveitar esses alimentos. O problema está quando aquilo que era eventual passa a fazer parte da rotina diária.
Ao mesmo tempo, o frio e a chuva diminuem nossa disposição para caminhar, ir à academia ou simplesmente permanecer mais ativos ao longo do dia.
A combinação é bastante previsível: ingerimos um pouco mais e nos movimentamos um pouco menos.
Ao longo de três ou quatro meses, isso pode contribuir para aumento de gordura corporal, redução do condicionamento físico e, especialmente em adultos e pessoas mais velhas, perda de massa e força muscular quando a inatividade é importante.
E existe ainda outro aspecto que merece atenção: a saúde mental.
Quando o sol reaparece, parece que alguma coisa desperta dentro de nós
A relação entre luz, rotina, sono, atividade física e bem-estar é complexa, mas sabemos que passar mais tempo ao ar livre e retomar atividades prazerosas pode ser muito positivo para a saúde física e emocional.
Depois de tantos dias fechados, voltar a caminhar, encontrar pessoas, cuidar do jardim, sentar ao sol com os devidos cuidados ou simplesmente abrir as janelas de casa pode representar muito mais do que uma mudança de estação.
Pode representar uma mudança de atitude.
Por isso, não precisamos esperar a primavera chegar oficialmente para começar.
E muito menos esperar novembro ou dezembro para lembrar que o verão está próximo.
Se começarmos agora, teremos alguns meses para fazer mudanças graduais, consistentes e saudáveis.
1. Comece revisando sua alimentação
Antes de pensar em dietas restritivas, observe a rotina que o inverno deixou.
O pão passou a aparecer várias vezes ao dia?
O bolo virou companhia obrigatória do café?
Os vegetais e as saladas diminuíram?
As frutas foram esquecidas?
As porções aumentaram?
O vinho ou outras bebidas alcoólicas ficaram mais frequentes?
Não precisamos simplesmente proibir alimentos. Precisamos reorganizar a alimentação.
Comece trazendo novamente mais vegetais, frutas, proteínas de boa qualidade, cereais integrais e alimentos menos processados para as refeições.
E não esqueça da água.
No inverno sentimos menos sede e, muitas vezes, chegamos à primavera com o hábito de beber pouca água. Recuperar uma boa hidratação também faz parte desse processo.
2. Coloque o corpo novamente em movimento
Não espere sentir vontade para começar.
Comece para que a vontade apareça.
Se você passou os últimos meses praticamente sem atividade física, não tente recuperar tudo em uma semana. Retome progressivamente e respeite suas condições individuais.
Uma estratégia interessante é criar algum compromisso diário com o movimento, mesmo que em alguns dias seja apenas uma caminhada leve, mobilidade ou alongamento.
O objetivo inicial é reconstruir o hábito.
A musculação e outros exercícios de força merecem atenção especial, principalmente depois dos 40, 50 e 60 anos, porque preservar massa muscular significa preservar força, autonomia, metabolismo e qualidade de vida.
A primavera pode ser uma excelente oportunidade para devolver movimento ao corpo.
3. E a pele? Ela também passou pelo inverno
Quando pensamos nos efeitos do frio, muitas vezes esquecemos da pele.
Banhos quentes, vento, baixa umidade, ambientes aquecidos e menor atenção à hidratação podem deixar a pele mais seca e sensível.
Rosto, lábios e mãos normalmente recebem nossa atenção primeiro, mas braços, pernas, colo e o restante do corpo também precisam de cuidados.
Aproveite esse período de transição para retomar uma rotina de cuidados: limpeza suave, hidratação adequada, ingestão de água e proteção solar.
Se houver manchas, descamação persistente, coceira, feridas ou outras alterações, vale procurar avaliação dermatológica antes de investir em tratamentos por conta própria.
E lembre-se: protetor solar não começa no verão.
Não faça do verão uma ameaça
Essa talvez seja a parte mais importante.
Daqui a alguns meses vamos usar roupas mais leves, colocar as pernas de fora, ir à praia, viajar, participar das festas de final de ano e expor um pouco mais o corpo.
Mas isso não significa que precisamos entrar em uma corrida desesperada para emagrecer.
O objetivo não deveria ser simplesmente conquistar um "corpo para o verão".
Seu corpo já é o seu corpo do verão.
O que podemos fazer é chegar lá mais fortes, mais dispostos, melhor nutridos, hidratados, com mais condicionamento e sentindo que estamos cuidando de nós mesmos.
Existe uma diferença enorme entre cuidar do corpo porque não gostamos dele e cuidar do corpo porque queremos viver melhor dentro dele.
Quanto antes começar, menos radical você precisará ser
É agosto.
Temos setembro, outubro e novembro pela frente antes da chegada do verão.
Isso significa que não precisamos de milagres. Precisamos de tempo e constância.
Começar agora permite ajustar a alimentação sem passar fome, recuperar gradativamente o condicionamento, trabalhar a massa muscular, melhorar a hidratação, cuidar da pele e recuperar hábitos que ficaram esquecidos durante o inverno.
Em vez de esperar novembro para procurar uma dieta milagrosa, podemos usar os próximos meses para construir saúde.
Um pequeno desafio para começar hoje
Faça três perguntas a si mesmo:
Como estou me alimentando?
Quanto estou movimentando meu corpo?
Como estou cuidando de mim?
Escolha uma mudança em cada uma dessas áreas e comece.
Não dez mudanças. Não uma revolução.
Uma mudança possível de cada vez.
Talvez seja voltar a beber água regularmente.
Talvez seja diminuir aquele bolo que virou hábito todas as tardes.
Talvez seja caminhar 30 minutos.
Talvez seja voltar à musculação.
Talvez seja hidratar a pele depois do banho.
O importante é começar.
Primavera também é renovação
Depois de meses difíceis de frio, chuva e tantas intempéries, ver os primeiros sinais da primavera pode nos lembrar de uma coisa simples: as estações passam.
As flores voltam.
Os dias clareiam.
As temperaturas mudam.
E nós também podemos mudar.
Que setembro não represente apenas a chegada de uma nova estação, mas o início de um período de mais movimento, mais cuidado, mais saúde e mais vida.
Não espere o verão para cuidar de você.
Comece agora, devagar e com constância. Quando o verão chegar, talvez a maior diferença não esteja apenas no espelho — mas na sua disposição, na sua força e na forma como você se sente dentro do próprio corpo.
Dra. Marlise Potrick StefaniNutrição Clínica e Integrativa | Especialista em Gerontologia | Especialista em Alimentação | Saúde da Mulher | Longevidade Saudável
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